PSA Peugeot Citroën lançará carro híbrido movido a ar

Apresentada no Brasil, tecnologia Hybrid Air segue sem previsão de comercialização
Rodrigo Ribeiro, do R7

Escondido sob a carroceria “fatiada” do Citroën C3 está o inédito sistema híbrido desenvolvido pela PSA Divulgação A PSA Peugeot Citroën apresentou na última sexta-feira (18), em São Paulo, uma tecnologia inédita para o segmento dos carros híbridos. Exposto dentro de um C3 europeu com carroceria parcialmente cortada, o sistema engloba um motor 1.2 litro de três cilindros movido a gasolina e um motor hidráulico alimentado através de um tanque com ar comprimido.

Mais simples do que os sistemas híbridos convencionais (que usam baterias e motores elétricos), oHybrid Air aposta no baixo custo de construção e manutenção para popularizar de vez esse tipo de veículo. A tecnologia, porém, não tem data para chegar às ruas. A explicação da ausência de datas para implementação do Hybrid Air foi dada por Karin Mokadden, chefe do projeto na PSA. — Há muitos estudos para serem feitos ainda, que vão desde testes de longa duração com os protótipos até o desenvolvimento da linha de montagem desses novos veículos.

Extra-oficialmente, porém, há outros motivos para o atraso: atualmente a PSA Peugeot Citroën vive uma forte crise na Europa, com demissões em massa e até o estudo de sua venda parcial para uma fabricante chinesa.

Tudo junto e misturado Alheio à tudo isso, o sistema Hybrid Air reúne uma série de conceitos incomuns para um automóvel. A começar pelo pequeno motor hidráulico de 40 cv, similar ao adotado em tratores compactos usados em obras. O propulsor extra é movido por um fluido que, por sua vez, é movido através de êmbolo empurrado por nitrogênio comprimido.

Na prática é como se você pegasse uma seringa e a pressionasse completamente com a agulha bloqueada. O ar será comprimido e ficará armazenado, situação que ocorre quando o carro aciona o sistema de freios. Ao soltar o êmbolo da seringa, ela empurrará sozinha a borracha para fora — no carro essa energia é aproveitada em acelerações e retomadas através do motor hidráulico.

Essa profusão de tecnologias permite números tentadores: consumo médio de 34 km/l de gasolina no ciclo urbano europeu e emissões de 69 g/km, índice inferior ao de híbridos mais modernos. E, curiosamente, um dos segredos para a economia é a “inferioridade” do sistema, que é incapaz de levar o carro por mais de 100 metros sem acionar o motor a gasolina.

A contrapartida é que, além de ser mais leve, ele acumula e descarrega sua energia de forma mais eficiente e rápida do que um híbrido com motor elétrico.

Sonho brasileiro A estimativa é que um modelo compacto Hybrid Air custe até R$ 60 mil na Europa — preço inferior às atuais versões híbridas vendidas pela PSA no continente. Desenvolvido para ser usado na plataforma compacta da marca, o sistema poderia até ser produzido no Brasil, na fábrica de Porto Real (RJ). Contudo, de acordo com a fabricante, isso demandaria um estudo de viabilidade técnica e o estímulo governamental. Por hora, a nova tecnologia híbrida segue distante de nós, mas só seu desenvolvimento já serve de estímulo para novidades em meio à monotonia dos carros parcialmente elétricos.

 

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